Ao coach, com carinho.

Foto: Rafael Salvador. Local: Hangar 193.

Foto: Rafael Salvador. Local: Hangar 193.


por Marcelo Blumenfeld, atleta da Hangar 193

Mais do que kettlebells, anilhas ou argolas, a essência e a qualidade do treinamento repousa no coach. Ele, às vezes, é o carrasco que te faz pagar burpees pelo atraso, mas também é o ombro amigo para aqueles momentos de dúvidas ou incertezas. Por essas e outras, o treinador é quem aproxima o CrossFit dos esportes e artes marciais enquanto o distancia da academia convencional (onde a palavra do aluno é ordem, mas também ecoa solitária aos quatro ventos sem ajuda, apoio ou orientação).

Contrariamente, na nossa metodologia, isto não existe. Você percebe que a disciplina transmitida no box não é sadismo ou abuso, e sim fruto da preocupação exclusiva com cada um que faz parte do box.

O coach é muito mais do que somente aquele cara com camiseta da CrossFit e PVC na mão, anotando resultados na lousa. Ele é a base dos treinamentos, da melhoria, e é aquele que dá a cara e a qualidade ao box, ao mesmo tempo que também carrega todas as responsabilidades que vêm junto. Ele merece nosso respeito, admiração e, com certeza, esta homenagem.

Embora seja o caso em alguns ginásios do país, o coach não necessariamente precisa ser o melhor atleta do box ou um atleta de elite. Não que não deva ser, já que muitos dos nossos melhores atletas também são excelentes treinadores. Nisto não há regra. A regra está na capacidade técnica e didática do profissional, no empenho e na seriedade com as quais trata seu trabalho. Como muitos sabem e muitos outros vão aprender com o tempo, diplomas na parede servem apenas como decoração quando não são correspondidos por aperfeiçoamento prático.

O coach, certificado como deve ser, precisa treinar tão ou mais do que seus alunos e atentar aos detalhes que seus pupilos tendem a esquecer, pois é ele quem será o exemplo que seus alunos vão se comparar. O bom coach tem vivência na metodologia e muitos e muitos WODs na bagagem. Só assim saberá orientar com precisão e ensinar com repertório. Ele entende a mecânica dos movimentos, assim como os erros mais comuns e suas correções.

Mais ainda, o bom coach não é aquele que apenas ensina fazendo. Para isto já há milhões de vídeos na internet para os alunos assistirem. O bom coach vai além do piso emborrachado do ginásio. Vai além do movimento e do WOD. Ele reprime enquanto encoraja e desafia enquanto inspira. Conhece cada um de seus alunos e sabe como fazê-los encontrar o melhor dentro de si no treino e na vida. Aqui vale uma alusão aos mestres das artes marciais. Como eles, o respeito do coach é ganho por mérito e não imposto pelo nome na camiseta. Não dedicam-se pela glória, mas sim pela paixão ao esporte e dedicação incondicional à formação do outro.

O coach chega antes e sai depois de todo mundo. Ele é aquele que nos indica o caminho do sucesso e nos encoraja no desafio do inesperado. Ele é aquele que vibra com nossas vitórias, apoia nossas derrotas e nos mostra, dia após dia, o quão melhor podemos ser do que sequer imaginamos.

Revista MyBOX

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