Corpo e mente em equilíbrio

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Nos bastidores de competições, entre um WOD e outro, é comum encontrar atletas recebendo massagens, acupuntura, shiatsu, do-in, ventosas, quiropraxia, ultrassom, termoterapia – as chamadas terapias complementares, que servem como um empurrãozinho para o atleta dar o melhor de si em cada prova, especialmente em competições mais longas.

Engana-se quem pensa que eles estão lá na mordomia, só para relaxar. Quando o corpo é submetido a treinos intensos, eles precisam de tempo para se recuperar. E quando o tempo é curto, ou mesmo inexistente, é preciso recorrer às terapias complementares para acelerar o processo de recuperação física. Esse spa particular, portanto, tem um importante papel regenerador que ajuda o atleta a manter o corpo em eficiência máxima antes e depois de cada bateria. Se um único WOD já é pesado, imagine ter que passar por três em apenas um dia, durante três dias seguidos?

Tratamento integrado

A terapeuta corporal Leca Bicalho, do Centro de Bem Estar Aura Clara, explica que as terapias complementares são importantes em dias de competição devido ao desgaste físico intenso. “O atleta não vai se recuperar totalmente, mas damos um suporte para que ele possa chegar bem para a próxima prova”, avalia, lembrando que nos casos mais graves, quando o atleta já chega com uma inflamação muscular, “mesmo que não dê para curar a lesão, ao menos amenizamos a dor”.

Bicalho ressalta que antes de começar qualquer tratamento é preciso fazer uma análise individual para escolher a técnica de acordo com a necessidade de cada atleta. “Para maximizar os efeitos da preparação, recomendo um tratamento integrado, que envolve inclusive o acompanhamento nutricional e psicológico”, explica.

O fisioterapeuta Ilan Gedanken, que usa a técnica de liberação miofascial para aliviar a tensão muscular dos atletas, afirma que a técnica é um trabalho árduo também para quem aplica a terapia. “Quando o dia é puxado, preciso colocar as mãos no gelo para aliviar a minha dor”, afirma o fisioterapeuta, que salienta ainda a importância de dosar a pressão e a velocidade da massagem para que o atleta não fique muito relaxado antes da prova. “Temos que deixar a musculatura ativada porque senão o atleta perde potência e isso pode prejudicar seu desempenho”.

Claudio Maradei, que é formado em educação física e já trabalhou na equipe técnica da seleção brasileira de basquete, explica que nas competições de fitness, as provas acabam exigindo força de praticamente todos os músculos, o que faz os atletas chegarem “destruídos” e com a musculatura tão tensa e cansada que nem conseguem se mexer direito.

É aí que entra o trabalho integrado, com a massagem trabalhando a parte mole de musculatura, tendões e ligamentos, e a quiropraxia contribuindo para o alinhamento das vértebras”, afirma, ressaltando que o profissional tem que ter conhecimentos de anatomia, fisiologia e da especificidade de cada modalidade para saber quais são os músculos envolvidos na atividade física.

Na sua opinião, as terapias têm papel fundamental no processo de recuperação e o ideal seria continuar o trabalho até que o atleta esteja plenamente recuperado, “alternando o atendimento a cada dois ou três dias para que o corpo absorva os estímulos”, conclui.

Piscina com gelo é de lei

Cada especialidade contribui de uma forma diferente para que o atleta tenha o melhor desempenho na prova. Mas uma técnica já virou rotina nos campeonatos, depois do último WOD e de todo o trabalho de força: a piscina com gelo.

A técnica da crioterapia consiste em submeter o corpo a baixas temperaturas para controlar a dor, diminuir o cansaço e melhorar a taxa de recuperação física depois de treinos intensos. “Quando muito exigida, a musculatura sofre microlesões e o gelo impede que essas lesões tenham sangramento maior que o necessário, interrompendo o processo inflamatório e acelerando o de cicatrização”, explica Maradei, que recomenda ainda sessões de sauna ou hidromassagem quente (termoterapia) para relaxar e soltar a musculatura como complemento à crioterapia e à massagem.
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O atleta Chiquinho (Francisco Javier), que ficou em segundo lugar no Torneio CrossFit Brasil 2015, depois de três anos de vitórias, por exemplo, recorreu à massagem e à acupuntura para “estar bem para a próxima prova”.

Chiquinho só passou a incluir as sessões de fisioterapia preventiva em sua rotina quando se machucou em uma prova, mas atualmente não abre mão das terapias complementares antes e depois de cada competição. “Esse tipo de suporte é fundamental para a recuperação, tanto que hoje faço fisioterapia preventiva pelo menos duas vezes por semana e indico para todo mundo”, afirma.

Terapia com aparelhos

Com a ajuda da inovação tecnológica, novos equipamentos foram desenvolvidos para serem usados nas terapias complementares. O Normatec, por exemplo, auxilia a recuperação física de atletas de alto rendimento através de movimentos de compressão pneumática.

O médico José Wilson Ribas, que aderiu aos tratamentos com aparelhos, destaca que cada paciente deve ter o acompanhamento sempre individualizado e com exames periódicos. “O Normatec melhora o retorno venoso nos membros com pressões segmentadas maiores que 150 mmHg ‒ o suficiente para ativar os linfonodos, melhorar a circulação e reduzir os níveis de lactato armazenados na musculatura”, explica dr. Ribas.

Outro aparelho utilizado pelos atletas é o Game Ready, cujo efeito de compressão é intensificado com circulação de água gelada. De acordo com o Dr. Ribas, os benefícios do frio local são o efeito anestésico e analgésico, a diminuição do metabolismo local e, consequentemente, o relaxamento. “A vantagem, em relação ao banho de gelo, é que o resfriamento localizado atua diretamente no músculo lesionado e não expõe o atleta ao risco de isquemia na ponta dos dedos”.

A atleta Anita Pravatti (Crossfit Selva), campeã do Torneio CrossFit Brasil de 2015 e uma das integrantes do Team Ribas, faz sessões semanais de atendimento e, dependendo da rotina de treinos, chega a fazer até dois tratamentos com aparelhos na mesma semana. “A sensação é relaxante, como uma massagem que inicia nos pés no sentido da coxa e quadril”, explica, citando o alívio da dor e do cansaço proporcionado pelo aparelho. “Sinto que, mesmo nas competições exaustivas, meu corpo continua pronto para o próximo WOD”.

Para Pravatti, a preparação nos dias de competição começa com uma boa noite de sono e continua com um bom trabalho de aquecimento e flexibilidade. Na hora da prova, “busco me concentrar na respiração, na autoconfiança e no desejo de vencer. Aprendi técnicas que me ajudam muito nesses momentos e estou ali para dar meu máximo, pois sei que depois tenho apoio para me recuperar mais facilmente”, conta.

Além do uso das novas tecnologias do mundo esportivo, o Dr. Ribas observa que não adianta equilibrar o corpo e se esquecer da saúde mental. “O acompanhamento psicológico (com técnicas de concentração, motivação e autoconfiança) é importante para a formação de um grande atleta”, diz.

Entre as terapias complementares que ele recomenda, estão a meditação, por conta das técnicas de respiração e concentração incluídas, a acupuntura, pela busca do equilíbrio espiritual e da melhora do desempenho; e a prática ortomolecular, que trabalha com a reposição de nutrientes, hidratação e desintoxicação.

O que as principais técnicas têm a oferecer:

Massagem Ayurvédica

A técnica da massagem visa melhorar a capacidade respiratória e circulatória, a postura e o tônus muscular. Os movimentos da massagem são mais vigorosos e aliviam as tensões musculares. Além disso, as técnicas de alongamento agem sobre os tendões e ligamentos para melhorar a flexibilidade.

Massagem esportiva

A técnica agrega técnicas da massagem clássica e de shiatsu. Com o controle da intensidade e da velocidade dos movimentos, o massagista adapta o tratamento para auxiliar o aquecimento antes da prova, para reduzir as dores e nódulos de tensão pós-competição e ainda para prevenir lesões em fases de treinamento.

Ventosaterapia funcional

O uso das ventosas tem origem na acupuntura e ajuda na liberação miofascial. Graças à ação mecânica de sucção da ventosa, é possível soltar as aderências, concentrar mais sangue e eliminar as toxinas que estão presas na musculatura. A técnica ajuda a relaxar e diminui a dor.

Quiropraxia

Promove o ajustamento articular com movimentos rápidos e precisos feitos com técnicas manuais. Ao alinhar as articulações e eliminar os deslocamentos responsáveis por tensões, o quiropraxista reestabelece o equilíbrio do corpo, a fim de prevenir lesões e melhorar a mobilidade das articulações e músculos do atleta.

Acupuntura

A técnica consiste na introdução de agulhas metálicas sob a pele em pontos específicos. As agulhas liberam os canais de energia do corpo e assim estimulam o bom funcionamento do organismo, melhoram a nutrição músculo-articular e retardam o processo de fadiga.

Liberação Miofascial

A técnica da liberação miofascial busca equilibrar a tensão muscular em todo o corpo. Através do toque, o fisioterapeuta busca as áreas de maior tensão para soltar as aderências do tecido conectivo e, assim, aumentar o alongamento da fibra muscular. Dessa forma, o corpo recupera a flexibilidade e a elasticidade.

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