Da natação para o box, com Luiz Martins

Até os 20 anos, Martins foi atleta de natação. Formado em educação física, ele passou a trabalhar com a preparação física de nadadores. Ao pesquisar os treinamentos alternativos à musculação, descobriu as técnicas dos exercícios funcionais e a metodologia desenvolvida por Greg Glassman e logo começou a aplicar os treinos aos seus próprios atletas.

Coach Luiz Martins, da Hangar 193. Foto: Rafael Salvador

Coach Luiz Martins, da Hangar 193. Foto: Rafael Salvador

Em 2012, Luiz Martins voltou a competir como nadador na categoria master. “Comecei a praticar CrossFit para melhorar meu preparo físico, mas aos pouco fui diminuindo os treinos na piscina até finalmente trocá-la pelo box”, conta. Hoje, sua prioridade são os atletas que treinam no box Hangar 193 – daí o foco nos treinos e nas periodizações da equipe.

O coach explica que tem um papel diferente quando se relaciona com os alunos convencionais porque está lá para incentivar a mudança de hábitos das pessoas, “para que elas pensem num futuro mais saudável e entendam a importância de se superar a cada treino e de ter força de vontade, pois isso se reflete no comportamento, no ambiente de trabalho, nos estudos. Isso você carrega para a sua vida”.

Fridman, a principal referência

A principal referência para o coach Luiz Martins é o coach Joel Fridman, “porque foi ele quem começou tudo no Brasil. Aprendi muito do que sei como aluno graças aos treinos do Joel”. Depois, ele conta que passou pela CrossFit SP e, como coach do CrossFit Chácara ganhou mais experiência como professor, ao colocar em prática tudo o que tinha aprendido nas aulas, somada à sua experiência como personal trainer.

“É justamente essa sequência que o próprio Greg Glassman recomenda para formar um bom coach: começar com as aulas individuais para só então passar para turmas maiores”, comenta Martins.

Foi dessa forma que o paulistano seguiu até abrir o próprio box e é o que ele passa para seus treinadores também. “Eu sou muito tradicional nesse sentido”, assegura. “Senti, por experiência própria, que dar aulas individuais aflora muito a sua percepção porque você está lidando com uma pessoa só”. E, se dar aulas em grupo exige muito mais atenção do treinador, é importante ter uma bagagem de experiências anteriores.

A experiência dos Regionals

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A primeira vez que Luiz foi para um Regional foi como árbitro, em 2012. Nos anos seguintes, foi como treinador da equipe. Com a entrada dos estados americanos na mesma chave do Brasil, o nível da competição aumentou, o que Luiz considera ótimo, “pois permite que os brasileiros possam vivenciar o clima da competição de igual para igual com os americanos”. Segundo o coach, “nós colocamos os caras num pedestal, achando que são todos muito fortes e muito grandes, mas no Brasil nós também temos atletas bons e alguns até mais fortes”, avalia. “A principal diferença é que eles estão treinando há mais tempo”.

Apesar de não ter conseguido chegar à fase mundial, a etapa dos Regionals de 2015 serviu como grande aprendizado. “Eu tive um técnico de natação que dizia que a gente só melhora competindo com peixe grande. Só assim a gente enxerga aonde quer chegar e o que é preciso fazer para melhorar”, lembra o coach da equipe Hangar 193 Brazilian Hurricane, que ficou na 34ª colocação no Regional de 2015.

“Os atletas voltaram mais focados em melhorar seus pontos fracos. Sem contar que na competição eles encontram subsídios para melhorar os treinos, encontrar forças e dar o melhor de si”, observa o treinador.

Coaches especializados

“Eu trato todos os meus alunos como atletas. Aqui temos uma programação com aulas específicas com coaches especializados em ginástica e em levantamento de peso olímpico. Além disso, temos parceria com uma fisioterapeuta para cuidar do processo de recuperação, afinal, é importante prestar atenção ao pós-treino para melhorar a performance do atleta”, analisa o técnico que também foi preparador físico de atletas de natação.

Luiz Martins explica que é preciso treinar muito e ter paciência para se tornar um atleta competititvo. “Não existe fórmula mágica. Um atleta de ponta tem que estar apto para fazer uma série de exercícios mais complexos para depois entrar para o programa de treinos mais específicos”.

Aos que têm pressa para fazer os movimentos, o coach conta que tudo faz parte de um processo de aprendizagem. “Comigo tem que trabalhar aos poucos, principalmente a subida na argola, que é o queridinho dos alunos. É um exercício mais agressivo e antes de aprender a executá-lo é necessário dominar vários movimentos”, alerta. “Uma coisa é fazer uma subida. Outra coisa é ser capaz de fazer uma série com trinta”, completa Martins.
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Depoimentos:

“Uma das virtudes do Luiz como treinador é que ele sabe ser um coach diferente para cada atleta, além de se dividir muito bem entre ser coach para quem busca bem-estar e quem é atleta de competições. No começo nós tivemos muita dificuldade de lidar com o fato de que ele é meu marido, mas hoje ele sabe a hora que tem que me cobrar e a hora que tem que me frear”.
– Danielle Nogueira, paulistana de 29 anos, atleta e sócia da CrossFit Hangar 193

“Uma característica de Martins é seu jeito para lidar com as pessoas. Ele pega bastante no pé na questão de comportamento, de como encarar aquilo como treinamento, de como fazer os exercícios”.
– Fernanda Surian, atleta, 28 anos, de São Paulo

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