Em busca da adrenalina da vitória, com Caro Hobo

O espírito competitivo e a vontade de vencer se mantiveram latentes mesmo depois que a paulistana Carolinne Hobo, 33 anos, decidiu abandonar a carreira de atleta de handebol após ter jogado profissionalmente nos times de Guarulhos e do Metodista.

Carolinne passou dois anos trabalhando no Japão e depois mais três estudando nos Estados Unidos. Quando voltou ao Brasil, há sete anos, a prática esportiva passou a ser apenas um hobby. Quando resolveu procurar uma academia perto de casa, no entanto, encontrou o box CrossFit Brasil, do head coach Joel Fridman, e logo descobriu que o fitness competitivo não era uma atividade esportiva tal qual uma academia convencional.

Apesar de ter que entrar na fila de espera para poder se matricular, Carolinne se sentiu acolhida. “Lembro que a primeira impressão foi de que era um lugar meio estranho, pequeno e sem espelhos. Mas quatro meses depois, eu já estava competindo. Logo eu, que achava que nunca mais iria participar de competições esportivas”, afirma, lembrando que não é uma rotina fácil. “Acho que percebi o quanto sentia falta da adrenalina das competições e da emoção dos preparativos das viagens, então não teve jeito. Virei atleta de novo”. Foto Rafael Salvador para MyBOX

O primeiro passo foi participar do CrossFit Girls Challenge 2013 (CrossFit Jundiaí) em que ficou em 3º lugar. Naquele mesmo ano, Hobo participou do Torneio CrossFit Brasil e conseguiu classificar-se em 4º lugar. Na etapa Regional do Reebok CrossFit Games 2013, no Equador, ela participou com a equipe da CrossFit Brasil, mas para a mesma etapa dos jogos de 2014, ela viajou para o Chile com a equipe da CrossFit Moema, com quem, inclusive, conquistou a 2ª colocação do Monstar Games 2014 e a 1ª do Giant’s Games 2015 (em Avaré-SP). A equipe de Moema também se destacou (em 5º lugar na América Latina) na etapa Open do CrossFit Games de 2015 e foi para o Regional de Dallas (Texas, Estados Unidos).

A estudante de educação física faz estágio na CrossFit Moema e ainda divide a carga diária de treinos em dois períodos, um pela manhã e outro à tarde. Além disso, controla o tempo de sono e segue uma dieta balanceada com o auxílio de um médico que a orienta sobre como manter uma alimentação saudável adequada à sua carga de treinos. Como é difícil conciliar as atividades cotidianas com os horários de se alimentar, ela sempre carrega uma marmita com o mix certo de proteínas e carboidratos. “Nas minhas refeições não pode faltar o básico: batata doce, mandioca e tapioca, em vez de pão. Do contrário, o treino não rende. Ninguém sobrevive no box comendo só frango e salada”, observa.

“Nas competições, sendo bem sincera, não tem uma vez que eu não me pergunte ‘o que estou fazendo aqui?’ e não vejo a hora de terminar, mas depois que acaba eu quero fazer de novo. Não consigo viver sem”, admite. “A empolgação pela vitória fala mais alto. É uma sensação para quem curte adrenalina”.

5D3_8327Se por um lado ela admite não gostar muito de WODs com corrida, por outro, o seu ponto forte é o levantamento de peso. Tanto que sua melhor marca do Open 2015 foi justamente o 15.1a (159 repetições de arremesso em 6 minutos, com 205 lb).

Considerada uma das mais fortes do país, Caro avalia que é importante ter muita força de vontade. “O treino supera muito talento por aí. Se você gosta, tem vontade e mantém a disciplina, já está com meio caminho andado”, aconselha.

Outro ponto importante é quebrar barreiras, inclusive a do preconceito contra as mulheres que praticam a modalidade. “As pessoas não estão muito acostumadas a ver mulher forte. Outro dia mesmo, no elevador do meu prédio, uma menina de seis anos falou que eu ‘parecia um menino, mas que não era, né?’ (risos)”, comenta, lembrando que as próprias mulheres precisam ultrapassar as barreira do preconceito. “Hoje eu percebo uma evolução porque até pouco tempo era muito comum ouvir as mulheres dizendo ter medo de ficar muito forte ou de machucar as mãos. Hoje em dia muitas mulheres levantam mais peso que os homens”.

Sobre o objetivo inicial de praticar as atividades voltadas ao condicionamento físico pensando só em emagrecer, Hobo diz que depois de alguns meses o foco naturalmente muda, pois a maioria passa a se preocupar em melhorar o desempenho ‒ fazer barra sem elástico, saltar uma caixa mais alta. “A parte estética passa a ser mais uma espécie de recompensa”, garante.

Revista MyBOX

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