Joel Fridman e a CrossFit no Brasil

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Primeiro head coach brasileiro que trouxe a metodologia ao Brasil, o paulistano Joel Fridman começou a treinar no parque Ibirapuera até conseguir inaugurar o box CrossFit Brasil, em São Paulo, em 2009. “Na época, traduzi o material e criei o site e dei as primeiras aulas na marquise do Ibirapuera”, lembra Fridman, que logo começou a oferecer cursos de capacitação de nível básico em seu box e isso atraiu os professores em busca de formação e de um lugar para treinar. “A maior parte da primeira leva de coaches brasileiros passou por aqui, principalmente os de São Paulo”.

De acordo com Fridman, é essencial que o coach aprenda a ser um bom praticante e não necessariamente ser um grande atleta: “Tem que ser dedicado e tem que saber executar os exercícios com precisão para ensinar”, avalia. “Se você quiser ser um bom treinador, tem que aprender primeiro com quem sabe mais, fazer cursos e, principalmente, aprender a treinar como um aluno”.

A dedicação aos treinos e ao aprendizado naturalmente leva tempo. “Para quem já está no mercado isso é complicado porque exige paciência. Alguns acham que estão dando um passo para trás porque têm que parar de dar aulas para voltar a se dedicar ao aprendizado”, afirma o head coach do box CrossFit Brasil, que é formado em Esporte pela Universidade de São Paulo e pós-graduado em Exercício para a Terceira Idade pela Faculdade de Medicina da USP.

Joel tinha experiência como preparador físico e como personal trainer quando se mudou com a família para o Canadá e conheceu os treinos do box CrossFit Vancouver. “Fui conversar com o pessoal para saber como eu poderia trabalhar lá e eles me falaram que antes de ser um técnico eu precisaria virar um bom aluno”, recorda.

Seu coach canadense tinha estimado uma média entre seis meses e um ano para que o brasileiro pudesse se habilitar como treinador. Mas a persistência e o afinco de Fridman, que passava o dia observando as aulas e participando de cursos, contaram pontos a seu favor. Em um mês e meio ele já estava dando aulas.

É justamente essa experiência como aluno que o paulistano costuma passar aos futuros coaches do Brasil. “Eu lido com os treinadores como se fossem alunos. Trago isso da minha experiência pessoal, pois nos cursos eu queria ter aulas do mesmo jeito que um aluno para poder aprender as técnicas de ensino”, afirma. “Eu ficava o dia todo prestando atenção à maneira como os outros professores com mais experiência davam as aulas”.

Leia também: A honra e a arte de ser um Coach.

Os coches do coach

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Segundo Fridman, o treinador que mais o inspirou foi Roberto Fornaciari, que o ensinou a ter o feeling de captar o rendimento do atleta em cada treino. “Ele foi meu primeiro treinador de levantamento de peso e me ensinou que um treinador tem saber entender o atleta e saber até que ponto pode exigir desempenho e observar como ele está em cada dia”, afirma, lembrando que por mais que a periodização esteja pronta é preciso entender que às vezes o atleta pode estar com algum problema pessoal, uma gripe ou simplesmente pode não estar em um bom dia. “Não estamos trabalhando com uma máquina”.

Com o treinador Edmilson Dantas, também conhecido como Dimas, referência no treinamento de levantamento de peso olímpico no Brasil, Fridman disse que aprendeu a lidar com as planilhas e a ser mais técnico. “Hoje, me vejo mais como meu primeiro coach, pois treinávamos para os campeonatos brasileiros sabendo que ninguém vivia daquilo. No CrossFit é a mesma coisa; ninguém vive dos campeonatos como atleta”, conta.

Veteranos e iniciantes

Dentro do box, todos treinam juntos – os atletas de elite e os alunos regulares, inclusive os iniciantes. Mas para o técnico, que está do outro lado, cada perfil de praticante exige um trabalho bem diferente. “Lidar com atletas de alta performance é diferente de lidar com praticantes porque, em geral, o coach não precisa brigar tanto para que o atleta treine. Na realidade, ele tem que brigar para que o atleta pare de treinar”, brinca Fridman, ao explicar que é importante o coach sempre ficar atento e observar o desempenho do atleta para montar a periodização. “Já com um aluno, temos que sempre prestar atenção à carga para que ele não corra riscos de se lesionar”, completa.

Para Fridman, para o treino ser eficiente não se pode ter pressa. “O aluno não pode querer passar o carro na frente dos bois, pois não é possível ter resultados antes de entender a técnica”. Por isso, o papel do treinador é ficar atento aos limites de cada um, saber impor respeito e ter responsabilidade pelas pessoas que estão treinando, sem perder a moral. “E isso é difícil, porque o ser humano sempre quer ser melhor que o outro, ganhar. Nós, coaches, temos que ter paciência e temos que ensinar o aluno a ter paciência também”.

Para não estimular uma corrida por resultados, Fridman explicou que não é muito a favor da quantidade cada vez maior de competições, principalmente para iniciantes. “Eles precisam de mais preparo. Não é como jogar bola nos fins de semana”, ressalta ao lembrar que isso gera até atritos com os alunos, pois ele não os incentiva a competir por metas de peso ou tempo e sempre insiste no desenvolvimento da técnica de cada movimento. “Quero que meus alunos se lembrem de mim como uma pessoa técnica, alguém que está preocupado com a segurança e a qualidade de vida deles”.

O técnico disse que costuma treinar apenas para manter o ritmo e que seu propósito maior é melhorar a qualidade de vida das pessoas, não formar atletas. “O engraçado é que eu sou coach de uma das melhores atletas do Brasil (Antonelli Nicole, que ficou em 21º lugar na categoria individual da etapa Regional Sul de 2015) e também organizo competições. Mas, na verdade, tudo começou como uma brincadeira”. No começo, o Torneio CrossFit Brasil tinha o formato de um campeonato entre boxes (na época existiam apenas sete em todo o Brasil). Mas, com o crescimento exponencial de praticantes, o torneio também foi aumentando e hoje é um dos principais eventos para os atletas do país.

“O Joel é um grande treinador, que está sempre prestando atenção para que ninguém se machuque. Ele chega a ser um pouco chato com a cobrança em relação à segurança na aula, mas com o tempo a gente percebe que não é à toa que ele cobra essas coisas. Ele não é só professor com uma aula montada para passar. Ele é um treinador mesmo, que segue uma programação pensada para o ano inteiro”, Thiago Ferreira, médico de 35 anos, que treina no box CrossFit Brasil há três anos.

Leia também: O prazer de treinar e competir, com Antonelli Nicole.

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Revista MyBOX

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