LPO e CrossFit: troca de experiências

Workshop Dmitry Klokov 229Em 2015, Dmitry Klokov, referência em levantamento de peso olímpico e adorado entre os praticantes de CrossFit, esteve São Paulo, junto com seu conterrâneo Igor Zaripov, ginasta e acrobata do Cirque du Soleil, para um workshop de LPO e de ginástica que reuniu 58 atletas de CrossFit de todo o Brasil no centro de treinamento do atleta brasileiro Fernando Reis, campeão pan-americano de levantamento de peso olímpico.

O campeão brasileiro de CrossFit Francisco Diaz, o Chiquinho, aproveitou a ocasião para tirar algumas dúvidas em relação às diferenças de técnicas aplicadas ao CrossFit e destacou que nem sempre uma técnica russa pode ser uma boa alternativa, já que, em LPO, o que vale é a explosão de um movimento único, enquanto que no CrossFit, são feitas muitas repetições. “A gente tem que saber adaptar o movimento à nossa realidade. O que o Dmitry explicou serve muito bem para o LPO e, se for pensar em adaptações, é apenas em relação a algum detalhe técnico”, conclui.

Na opinião de Chiquinho, quando se segue um nível mais alto de treinos e competições, melhorar cada detalhe é o que faz o atleta evoluir. “Não importa em que nível você esteja, sempre tem algo novo para aprender e essa oportunidade de ter a orientação do Dmitry e do Fernando, que são atletas olímpicos e referências no esporte, é única. Não poderia deixar passar”, afirma Chiquinho.

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O atleta João Henrique Machado Silva disse que aprendeu com Klokov que os exercícios complementares são fundamentais para criar uma boa base de evoluções. Silva já treina levantamento de peso no CT F. Reis e disse que estes exercícios são fundamentais para o preparo físico. Como ele treina tanto CrossFit como LPO, os treinos acabam sendo complementares. “Dependendo da época do ano, eu dou prioridade a um ou outro para me preparar para as competições específicas”, revela.

O head coach Caê Lima, do CrossFit Thribo, de Poços de Caldas (MG), disse que o workshop trouxe uma série de instruções diferentes daquelas que está acostumado. “As posições de saída e de entrada na barra são dicas daquelas que servem para enriquecer nosso repertório. Por mais que o meu foco não seja a especialização em LPO, eu preciso ter uma boa base para poder repassá-la aos meus alunos”, analisa.

O técnico da Federação Paraibana de Levantamento de Peso Olímpico, Wagner Araújo, também achou uma boa oportunidade para divulgar a modalidade. “O LPO é o segundo esporte mais complexo (depois do salto com vara) disputado em Olimpíadas. É bom para que as pessoas vejam que treinar é muito bom para a saúde. Quem levanta peso não quer saber mais de musculação porque ele proporciona uma preparação física muito superior”, observa.

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Durante o seminário, Klokov explicou que a escola russa de treinamento de LPO busca formas de usar o corpo com mais eficiência. “Não nos preocupamos apenas com a posição do corpo, mas também para os músculos trabalhados e investimos no desenvolvimento gradual do atleta”, explica o russo. “O atleta tem que estar ciente de que o treino é um processo de longo prazo necessário para criar uma base de sustentação para que o corpo possa aguentar cargas maiores ao longo do tempo. Não adianta querer aumentar a carga de um dia para o outro. Cada um tem que saber respeitar os limites do próprio corpo”, aconselha.

A fisioterapeuta Tatiane Abreu achou valiosa a dica de Klokov sobre o posicionamento ideal dos pés para que os joelhos não sejam sobrecarregados no agachamento. “Ele explicou que muitas pessoas que praticam CrossFit começam o movimento com os pés paralelos, mas o ideal é começar com os pés em diagonal, sempre fazendo o movimento aberto”, conta.

Como vimos, o CrossFit e o Levantamento de Peso Olímpico andam lado a lado, são complementares e, com certeza, são uma ótima maneira de melhorar as 10 capacidades físicas do corpo humano.

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