Mas será que é proteína?

Por Robert Wildman, Ph.D., RD
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Atletas de força e alta intensidade não são tão diferentes assim dos jogadores de futebol ou dos halterofilistas quando o assunto é proteína em pó, o suplemento nutricional mais importante para ganhar massa muscular e melhorar o desempenho. Tampouco são diferentes ao acreditar nas informações contidas nos rótulos dos suplementos de proteína.

No entanto, alguns fatos recentes que movimentaram a comunidade de nutricionistas — ambos relacionados à adição de aminoácidos à proteína em pó, prática conhecida como “protein spiking” — sugerem que ainda é difícil e confuso decidir qual suplemento de proteína comprar.

AMINO SPIKING

A edição de abril de 2014 da Natural Products Insider trouxe um artigo entitulado “Pure Protein Products” (Produtos de proteína pura) que chamou a atenção para um tema-chave para a indústria de nutrição esportiva. “Amino spiking” ou “protein spiking” é o processo pelo qual o fabricante adiciona aminoácidos livres ou creatinina ao suplemento de proteína como uma maneira barata de aumentar o conteúdo de proteína listado no painel de Informações Nutricionais do suplemento. Na mesma época em que o artigo foi publicado, a Associação Americana de Produtos Fitoterápicos divulgou uma declaração com orientações sobre como classificar corretamente os produtos de proteína de modo a facilitar a decisão de compra dos consumidores. Basicamente, a AAPF sugeriu que a proteína mencionada no painel de Informações Nutricionais do suplemento deveria representar a proteína completa, feita de aminoácidos em sua forma proteica mais natural.

INGREDIENTES PARA SE PRESTAR ATENÇÃO!

É essencial entender que o artigo e a recomendação da AAPF não estão dizendo que aminoácidos, creatinina ou outros ingredientes baseados em nitrogênio não podem ser adicionados aos suplementos de proteína. Pelo contrário, eles são permitidos – apenas não deveriam ser incluídos no total de proteínas. Dito isso, o artigo da Natural Products Insider identificou glicina, taurina e creatinina como as substâncias mais comumente usadas no amino spiking. Parte do argumento contra a prática é que dois desses “aminos”, a taurina e a creatinina, não são usados como elementos da proteína, portanto eles não deveriam ser incluídos no volume total de proteína do produto. Já a glicina, que pode ser usada como elemento constituinte para fornecer proteína para o músculo, é talvez o aminoácido menos essencial, pois sua função básica é a de diluir a quantidade de aminoácidos essenciais no produto, inclusive a leucina.

O INGREDIENTE “DESEJADO”

A leucina, indiscutivelmente o mais importante aminoácido de cadeia ramificada, é essencial para o músculo se desenvolver e para melhorar o desempenho e a força porque ela parece reforçar diretamente a produção de proteína no músculo. Segundo o artigo da Natural Products Insider o teor da leucina pode ser utilizado como um meio de avaliar a qualidade de um produto. Se outros ingredientes amino são adicionados ao produto, a leucina é diluída, e sua potência pode ser reduzida quando comparada à proteína completa.

De maneira geral, as proteínas de leite, tais como a whey e a caseína, são as que têm mais teor de leucina, chegando a representar 11% do teor de proteína. Portanto, um produto com whey, caseína ou proteína de leite deveria conter 10% ou mais de leucina, ou 2,5 gramas por porção de 25 gramas de proteína. (Ovo, soja e outras proteínas vegetais deveriam ter pelo menos 2 gramas de leucina numa mesma porção de 25 gramas.)

Isso significa que você deveria procurar especificamente por marcas de proteína em pó que indiquem seu teor de amino no rótulo e depois se certificar de que um pote, por exemplo, de proteína whey em pó que ofereça uma porção de 25 gramas deve conter 2,5 gramas de leucina. Assim, para garantir que você estaria comprando o melhor produto e o melhor custo-benefício, pesquise os ingredientes em busca de aminos extras que podem ter sido usados para jogar para cima os valores proteicos. E não se esqueça de que se um suplemento de proteína for bem mais barato do que outro produto de renome disponível na mesma prateleira, a razão pode ser justamente o amino spiking.

Robert Wildman, Ph.D., RD (TheNutritionDr.com.), é autor do livro Sports and Fitness Nutrition and The Nutritionist: Food, Nutrition, and Optimal Health. Para seguir o autor no Twitter: @TheNutritionDoc.

Revista MyBOX

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