O prazer de treinar e competir, com Antonelli Nicole

Foto Rafael Salvador para Revista MyBOX #04A paulista Antonelli Nicole, 29 anos, sempre soube que sua vocação estava nos esportes. Praticou handebol, capoeira, musculação e até balé clássico, mas foi no CrossFit que ela se encontrou como atleta e como pessoa. “Sempre fui muito competitiva e logo que conheci o CrossFit, vi que era aquilo que eu queria fazer”, lembra a atleta, que procurou o box CrossFit Brasil, em 2012, já com a intenção de treinar e se aprofundar como profissional.

“No primeiro dia eu falei para o Joel (Fridman, pioneiro do CrossFit no Brasil e um de seus coaches) que queria três coisas dele: ser treinadora da Crossit Brasil, ficar boa de verdade e entrar no mundial. Na hora, ele riu”, lembra. “Não foi prepotência, é que sempre gostei muito de treinar e de competir”.

Melhor atleta individual da América Latina no Open Games de 2015, Antonelli já se prepara para voos maiores – participar do CrossFit Games é seu sonho. Para isso, ela continua colecionando medalhas.

Sua primeira conquista veio já no primeiro mês de treinos, quando participou do CrossFit Girls Challenge, realizado na CrossFit Jundiaí em 2012. “Joel me incentivou a participar para que eu pudesse conhecer o ambiente de competições, mas eu não me sentia pronta. Na época, minha maior dificuldade eram as barras”, conta Antonelli, que treinou todos os dias até conseguir superar esse ponto fraco. “Joel me dizia que eu não devia seguir esse ritmo porque eu poderia me machucar, mas eu sou meio teimosa e às vezes até esperava ele ir embora para voltar a treinar”.

Foi justamente esta teimosia que fez a diferença na prova que lhe rendeu o título de campeã. “Para quem quer ser atleta, é preciso se dedicar ao treinamento, contar com coaches capacitados e ter clareza de que é preciso ser forte, porque esporte no Brasil não é um caminho muito fácil”, explicou. “É complicado viver de patrocínio, ainda mais no CrossFit que ainda é relativamente novo no Brasil”.

“A competição nos deixa com a cabeça forte, pois temos que aprender a lidar com vitórias e derrotas”, conta Antonelli, salientando que isso vale também para a vida pessoal. “Tive um primo que faleceu com 27 anos em um acidente de carro. Foi um momento muito complicado e superar essa fase que não foi fácil. Acho que o esporte me deu essa base para a vida também”.

Antonelli treina cinco dias por semana e sua rotina inclui um dia de descanso total e um dia de descanso ativo. Nos dias de folga ela dá aula, pratica ioga e natação (sem pegar pesado), ou então vai para o box fazer exercícios de mobilidade e alongamento. Ou seja, mesmo nas folgas, o CrossFit parece não largar dela.

Dessa determinação vem a confiança que todo atleta de alta performance deve ter, acredita Antonelli. “Antes que os outros acreditem em você, você mesma tem que saber o que quer. Os objetivos de um atleta têm que estar muito bem definidos”.

Além de Joel Fridman, Antonelli conta com a orientação de Luiz Mello, da CrossFit BH, que vê seus treinos gravados em vídeos e dá dicas para melhorar o seu desempenho. Sua rotina de treinos específicos para as competições é intensa, mas na semana que antecede as competições ela diminui o ritmo para estar inteira no dia da prova.

No Monstar Games de 2014, Antonelli foi a melhor brasileira da competição, ficando atrás apenas da norueguesa Kristin Holte e da americana Lauren Fisher (ambas da CrossFit Invictus), na classificação geral. Em 2015, ela conseguiu se classificar pela terceira vez para a etapa Regional do CrossFit Games e, se ficar entre as cinco melhores dessa etapa, poderá disputar a final mundial, que acontece de 21 a 26 de julho, na Califórnia.

Quando questionada se já sofreu algum preconceito por ser mulher, Antonelli diz que não, mas brinca dizendo que na realidade ela é quem provoca seus alunos para incentivá-los a bater seus recordes pessoais. “A gente tem que treinar tanto quanto os homens, a intensidade é igual e o objetivo é o mesmo. O que muda é que a carga tem que ser ajustada. Mas de resto é a mesma coisa para homens e mulheres”.
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