Vida dupla como coach e atleta, com Tiago Lopes

Um bom coach precisa ter pulso forte, liderança, garra e acima de tudo precisa gostar do que faz. Essa é a visão do coach Tiago Lopes, 38 anos, dono do box CrossFit SP. “Não estou aqui só para passar um treino e depois mandar os atletas para casa. Eu me comprometo com o desempenho deles”, explica Lopes, que treina hoje mais de 50 “alunos-atletas”.

Tiago Lopes considera coach um título muito forte, que estabelece uma relação de mestre e discípulo. “O professor está lá para educar, mas o coach muda a forma das pessoas pensarem”, afirma.

Na opinião de Tiago, para ser considerado realmente um bom profissional é preciso amadurecer, trocar experiências e isso leva tempo. “A formação de um treinador faz parte de um processo longo, que envolve mais do que o ensino e aprendizado de técnicas de movimentos”, afirma, salientando ainda o aspecto emocional. “Um bom coach precisa desenvolver também a percepção emocional e ser capaz de lidar com as relações pessoais e emocionais para saber aproveitar ao máximo o potencial de cada atleta”.

071215_PostTiagoLopes1Nesse sentido, o treinador acredita que para se tornar um bom coach é preciso ter no mínimo dez anos de experiência dando aulas, ensinando e treinando pessoas. “Menos que isso, eu não acho ninguém bom”, diz, lembrando que não é suficiente fazer o workshop de dois dias que ensina o básico sobre os treinos e permite a qualquer educador físico abrir um box afiliado e se tornar coach pela CrossFit Inc.

“Num universo abrangente como o do treinamento de força, dois dias de curso para tirar a capacitação do curso CrossFit Level 1 Trainer não bastam”, explica, lembrando que é preciso bem mais do que um certificado na parede. “O processo de formação do coach é permanente”.

O lado atleta do treinador

071215_PostTiagoLopes2Nos dois últimos anos, Tiago Lopes tem participado das competições como atleta e como coach. Os treinos são feitos em equipe e ele fica lado a lado com os integrantes. Apesar da cumplicidade, ele reconhece que é difícil conciliar os dois papéis. “Meu poder de liderança acaba ficando um pouco prejudicado quando sou atleta”, observa.

Ao mesmo tempo, Tiago confessa que competir faz parte de sua essência. “É o que me motiva a continuar dando os treinos e a servir de exemplo para os meus alunos e para o meu filho”. Por isso, ele revela que possivelmente não participará do CrossFit Games em 2016. Quer se dedicar exclusivamente ao trabalho de treinador e assim que completar 40 anos, pretende competir na categoria Master.

Tiago Lopes competiu como atleta pela primeira vez em 2012, na etapa Regional da América Latina do CrossFit Games em Cali, na Colômbia. No ano seguinte, estava lesionado e acompanhou a equipe como técnico. “Naquela época, nosso nível era tão baixo que o maior desafio era terminar o WOD com a pontuação mínima para passar para o próximo”, lembra.

Em 2013, a equipe do CrossFit SP ficou com a segunda colocação no Regional de Guayaquil, Equador, ficando atrás apenas do CrossFit 7 Mile, das Ilhas Cayman. “Mas foi um segundo lugar com gostinho de primeiro, porque a equipe vencedora era realmente mais forte e mais experiente”, lembra o coach.

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Já em 2014, a equipe foi vice na etapa Regional em Santiago, no Chile, com um ponto a menos do que a equipe argentina BIGG Friends. “Foi um segundo lugar com sensação de último porque a gente deixou escapar por um erro da nossa parte. A sensação de derrota foi maior”, explica.

Para 2015, a equipe base do box CrossFit SP é formada por Tiago Lopes, Cassiano Lessing, Eliseu Quintiliano, Débora Diegas e as atletas do CrossFit BSB Tatyana Faleiro e Marina Ramos Jorge, que se mudaram de Brasília para São Paulo para se dedicarem aos treinos em equipe.

Com a mudança de regras dos jogos em 2015, os competidores da etapa Regional já não seriam mais só da América Latina, fazendo com que o nível da competição ficasse mais forte. Na etapa Regional Sul, a equipe CrossFit SP Bsb Hulks acabou ficando com a 38ª colocação geral, e de acordo com o coach, a dificuldade de conciliar os treinos acabou atrapalhando. “Nós somos uma equipe forte, mas alguns problemas de relacionamento nos deixaram emocionalmente abalados”, analisa.

Treinadores marcantes

Sobre os coaches que marcaram a sua vida, Lopes não hesitou em nomear seu pai como o responsável por incentivá-lo a praticar esportes desde pequeno. “Eu ficava fascinado quando via meu pai dando mortal nas rodas de capoeira”, recorda o técnico que é pai de Cauã, de três anos. “Ele plantou uma sementinha que ficou comigo o resto da vida e foi assim que aprendi a dar o meu melhor naquilo que eu faço hoje, que é treinar atletas”.

Entre as experiências profissionais, no CrossFit, Lopes dedica sua formação ao coach Joel Fridman, “pois foi com ele que eu conheci a metodologia de treinos e foi com quem aprendi muito do que sei hoje”.

Leia também: Joel Fridman e a CrossFit no Brasil

Depoimento de Cassiano Lessing

“Minha vida mudou completamente depois que comecei a praticar CrossFit. Agradeço sempre ao meu coach que, além de ser orientador, é também amigo. Eu me tornei uma pessoa mais focada, mais centrada no que eu faço. Com ele, eu aprendo alguma coisa nova todos os dias, seja em técnica de exercícios, seja no comportamento”

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